

A Ferrari vive momentos dourados. Não só no desporto, mas também no comércio e indústria. Em menos de um ano e meio, a marca italiana apresentou quatro novidades. Depois do 612 Scaglietti, F430 e Superamerica, chegou a vez do F430 Spider, cuja paresentação oficial decorrerá no próximo Salão de Genebra, no início de Março.
Muito semelhante ao gémeo fechado, o coupé F430, o Spider promete encantar e na opinião de alguns analistas, pode ser dentro de bem pouco tempo, o líder de vendas da Ferrari. Substituindo o 360 Spider, curiosamente apresentado há cinco anos no certame suíço, o F430 descapotável recorre à capota de lona, com comando eléctrico, semelhante à do antecessor, embora agora recolha num espaço mais reduzido, libertando centímetros para o habitáculo e o motor. Ficou assim de lado a hipótese de uma capota rígida, semelhante à usada no Superamerica, desvendado no Salão de Detroit e agora apresentado na Europa, no certame de Amesterdão.
O F430 Spider é mais um Ferrari com fortes ligações à F1, um pouco na linha do que tem acontecido com os últimos lançamentos da marca de Maranello. E a inspiração começa logo pelo “design”, com as entradas de ar ovais da frente a recordarem o Ferrari 156 F1, o famoso “shark nose” (nariz de tubarão), com que o norte-americano Phil Hill venceu o Mundial de F1 de 1961, curiosamente o ano em que a Ferrari conquistou o primeiro título de construtores. Além disso, as linhas desenhadas pela Pininfarina passaram por avançados programas de simulação aerodinâmica, habitualmente exclusivos da equipa de Fórmula 1.
Mas a relação com a F1 não se fica por aqui. Tal como o F430, o Spider recebe componentes “importados” da competição, com particular destaque para o difencial electrónico (E-diff) e para o “manettino”, o comutador rotativo colocado no volante que permite, por exemplo, desligar o controlo de tracção e escolher entre modos de condução. Ou seja, o “manetino” não é um botão de entretenimento, mas sim um comando que actua sobre a dinâmica do veículo.
O motor V8 de 4,3 litros continua à vista, tapado por uma protecção de vidro transparente, que neste caso está disposta horizontalmente sobre o motor e não inclinada, como no F430. Como não podia deixar de ser, o Spider integra os arcos de segurança fixos atrás dos assentos. As dimensões são semelhantes às do F430 (4512 mm de comprimento e 1923 mm de largura), variando apenas a altura (1234mm no cabrio contra 1214 mm no coupé).
O F430 Spider recebe o mesmo motor que a “berlinetta”, o V8 de 4,3 litros, que sobe aos 490cv às 8500 rpm e desenvolve um binário máximo de 465 Nm às 5250 rpm. Não é, por isso, supreendente que as duas versões sejam muito semelhantes nas prestações anunciadas pela Ferrari. A diferença de peso de 70 kg (1520 no Spider e 1450 no coupé) explicará certamente a ligeira do descapotável em relação à versão fechada. O F430 Spider atinge os 311 km/h, acelerando dos 0 aos 100 km/h em 4.1 segundos, o que fica um pouco aquém dos 315 km/h anunciados para o F430, que passa dos 0 aos 100 km/h em quatro segundos. Com uma potência específica de 114cv/litro, o Spider apresenta uma relação peso/potência de 2,9kg/cv, podendo (se imitar o coupé) ser mais ágil e estável do que o 360 Spider: um carro de corrida com comodidades de veículo de uso diário.
A Portugal, o F430 Spider chegará no último trimestre do ano, com preços entre os 200 mil (caixa manual) e os 208 mil euros (versão F1), se se mantiver a diferença entre as actuais versões coupé e descapotável. É que o F430 Coupé, que estará disponível no mercado nacional no fim do mês ou inicio de Março, valerá 180 mil euros (versão manual) ou 186 mil (caixa robotizada).